sábado, 7 de agosto de 2010

Início das férias - parte 2/3 (Hangzhou 杭州)

Depois do término do curso em Suzhou me fui para Hangzhou, a cerca de 3 horas de ônibus de distância. Ao invés dos canais a característica geográfica em destaque aqui é o Lago Oeste (西湖), que fica, dã, na parte oeste da cidade. Ao sul e ao oeste do lago há ainda montanhas repletas de pontos de interesse. Fui a cidade com uma amiga neozeolandeza descendente de chineses, mas ela só ficou 3 dias e eu 5. Não sei exatamente porque, mas acabei achando Hangzhou mais bonita do que Suzhou. Talvez como eu não passei 2 semanas lá estudando eu não tenha me acostumado, sei lá. Além do mais, o próprio Marco Pólo quando esteve por essas bandas descreveu esta cidade como uma das mais belas do mundo, quem sou eu para discordar?

A principal atração da cidade é o próprio lago e arredores, que eu circundei a pé começando de manhã e terminando de noite, subindo e descendo uma montanha ao norte (abaixo) e totalizando uns 12 quilômetros acredito eu, medido através do google maps. No centro do lago há duas ilhas que é possível visitar uma a pé e a outra de barco. Além dos barcos que levam á ilha é possível fazer algum trajeto curto de barco também.

No leste do lago está o centro da cidade, por onde eu só passei rapidamente. Já no norte sobre uma montanha está o Parque da Caverna do Dragão Amarelo (黄龙洞公园). Lá pude visitar um templo daoísta que infelizmente está sendo todo reformado, então não foi possível ver muito mais do que salões repletos de material de construção sem os adornos ou estátuas tradicionais. Pude ver inclusive algumas estátuas fora do local e sem algumas partes, como a cabeça por exemplo. Porém quando eu estava me lamentando por ter visitado o templo em má hora escuto música vinda de algum lugar. Após procurar por um curto tempo acabei encontrando a única parte do templo que ainda parece intacta, e o melhor de tudo, estava acontecendo um culto na hora! Foi a primeira vez em que eu vi um culto daoísta na vida. Uma sacerdotiza no centro do salão rezava em voz alta, cantava, andava de um lado para o outro e venerava os deuses em sua frente enquanto mais umas 7 pessoas, entre homens e mulheres, tocavam vários instrumentos e cantavam. O que era mais interessante era como as demais pessoas estavam sincronizadas com a sacerdotiza, que numa hora estava declamando e de repente começava a cantar e era imediatamente acompanhada pelos instrumentos. Só havia um fiel acompanhando o culto. Imagino que um templo pequeno e não muito famoso, em reformas no alto de uma montanha e no meio do mato não seja o lugar mais atraente do mundo pra se ir rezar... Ainda consegui tirar algumas fotos antes de um religioso que estava sentando acompanhando tudo me dizer que eu não podia fotografar, tarde demais. Na montanha também há algumas grutas transformadas em lugares de culto.

Muito interessante foi visitar os dois pagodes mais famosos da cidade, cada um com sua característica bem distinta. O primeiro e mais famoso, Pagode Leifeng (雷峰塔), fica na margem sul do Lago Oeste, possível de ver a longa distãncia à noite devido a abundante iluminação. A torre original foi construída no século 9, mas acabou caíndo no início do século 20 por falta de cuidados. Então foi reconstruída recentemente e conta com, iluminação, ar condicionado, televisores e até mesmo elevador! É, um exemplo de uma pagode do século 21 ou sei lá o que. A torre é muito bonita, seus andares estão cheios de painéis contando a história da mesma e do alto têm-se uma vista linda do lago e da cidade, mas caso se queira saber como é um verdadeiro pagode tradicional o ideal é  ir ao Pagode das Seis Harmonias (六和塔), no lado sul das montanhas ao sul da cidade. Aquilo sim é que é pagode, também com uma vista linda do rio que corta a cidade ao sul, e nada de elevadorzinho para escalar os 60 metros de torre. Logo abaixo fica uma museu só sobre os pagodes na China que vale muito a pena de ver.

Também ao sul da cidade visitei o museu do chá e a vila que dá nome à variedade de chá mais famosa da China, a Vila do Poço do Dragão (龙井). Lá pude ver as enormes plantações de chá na beira das montanhas e aprender sobre o processo de preparação das folhas, como fazer o chá, todas as variedades, etc. Também pude provar gratuitamente uns chás muito bons servidos por uma funcionária muito atenciosa, que após a seção de desgustação nos levou à loja do museu para comprar chás superfaturados, lógico...

Um último destaque da cidade, creio eu, é o Templo do Esconderijo da Alma (灵隐寺), nas montanhas ao oeste do lago. A montanha abriga mais uns dois grandes templo além deste, mas nenhum tão grande. Talvez seja um dos maiores templos que eu já visitei, e repleto de gente! Na montanha também existe uma parte onde centenas de imagens budistas foram esculpidas na pedra, dentro de grutas e nos lados da montanha.

Em breve a terceira e última parte deste post, sobre Nanjing.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Em breve a continuação

   Estive meio ocupados no últimos dias, por isso ainda não publiquei a continuação do post. Amanhã certamente eu publico (eu espero)!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Início das férias - parte 1/3 (Suzhou 苏州)

Iai minha gente! Andei um pouco (bastante) afastado da internet por quase um mês porque estava viajando. Mas agora cá estou eu para relatar um pouco do que aconteceu desde o último post, quase 2 meses atrás. Como o texto é grande vou dividi-lo em 3 posts. Em breve também ponho fotos no Orkut.

Minhas aulas acabaram dia 2 de julho e já no dia 4 me fui para Suzhou (苏州) para participar de um curso de verão de 2 semanas de duração. Depois visitei as cidades de Hangzhou (杭州) e Nanjing (南京) e enfim voltei para Beijing. Os últimos dias de aula foram tranquilos e angustiantes ao mesmo tempo. Tranquilos porque estava estudando bastante e não tive dificuldades com as provas. Angustiantes porque também eram os últimos dias em que eu veria a maior parte dos amigos que fiz aqui. A maior parte dos que conheci aqui são pessoas que vieram somente para estudar chinês durante um ano na China, então 95% dos meus conhecidos foram embora e eu provavelmente nunca mais vou ver a maioria deles, ô saco... Era bem deprimente ter que ficar me despedindo de gente diferente a cada dia. O bom do fim do ano letivo é que no prédio inteiro pessoas estavam se preparando para voltar de vez para seus países e jogando fora muita coisa aproveitável. Nas últimas 2 semanas antes das férias consegui coletar livros, talheres, DVDs, alguns utensílios domésticos, um suporte para galão de água (que eu queria comprar faz um tempo) e o melhor de tudo, um sistema de som para o PC, com subwoofer e tudo! Bom pra caramba! Tudo tem lado bom e lado ruim, pelo menos agora vou ter um quarto super equipado.

Bom, assim que começaram as férias me fui imediatamente para Suzhou. Lá ficamos em um hotel super bom e barato, pago em parte pela própria universidade. O curso consistia em aulas de chinês e de cultura chinesa ministradas por mestrandos em Ensino de Língua Chinesa para Estrangeiros da nossa universidade do campus de lá, era algo como um estágio para eles. É claro que em 2 semanas de curso deu para, além de estudar um pouco, conhecer a cidade, considerada uma das mais bonitas da China. Existe um ditado chinês que diz, “Acima o paraíso, abaixo Suzhou e Hangzhou” (上有天堂,下有苏杭). A cidade é considerada a “Veneza Oriental” por causa da grande quantidade de canais que cruza a cidade. Os canais servem não apenas para deixar a cidade mais charmosa, mas também para o transporte de gente e mercadorias em barcos a remo, para lavar a roupa, louça, pegar água para lavar a casa, etc. Isso é possível de ver em pleno centro. Mas o destaque mesmo das cidades são os jardins, construídos ao longo dos séculos por mercadores, políticos, burocratas aposentados, oficiais, enfim. Constituem-se de plantas, rochas, lagos, córregos, morros e construções de madeira dispostos da forma a transmitir a idéia de harmonia com a natureza. Com exceção das construções espalhadas aqui e ali, não há linhas retas ou formas simétricas e a água está sempre cheia de peixes dourados. Além dos jardins fui a templos, museus, parques e algumas aldeias no entorno. Alguns destaques:

- No museu da seda, além das peças de seda era possível ver todo o processo de fabricação do tecido, inclusive as larvas do bicho-da-seda se alimentando de folhas de amoreira.

- Fui no museu sobre Pingtan (评弹), uma forma de contar histórias que se mistura com música, e pude realmente assistir uma apresentação completa! Um homem e uma mulher se alternavam narrando uma história, interpretando personagens, tocando seus instrumentos e cantando. A apresentação durou cerca de 2 horas e não entendi quase nada porque na maior parte do tempo era utilizado o dialeto local. Mas foi uma experiência muito interessante porque além de mim, dos 2 amigos que foram comigo e mais umas 5 pessoas ali, ninguém parecia ter menos de 60 anos de idade. São pessoas que moram na vizinhança e vão ali todos os dias para ver a apresentação (e cochilar durante ela), tomar chá, fofocar e jogar conversa fora. Assistir a apresentação tomando chá e depois ter a história traduzida pelos velhos talvez tenha sido a minha experiência mais interessante em Suzhou.

- No oeste da cidade há o Morro do Tigre, no topo do qual há um pagode (torre destinada a guardar relíquias budistas, e não a música!) construído completamente em pedra. O detalhe é que ele está inclinado, igual à Torre de Pisa. Os guias fazem questão de frisar que ele foi construído antes da torre italiana.

- No entorno da cidade há várias pequenas vilas de canais extremamente lindas ainda preservando a arquitetura de séculos atrás. Fui em duas delas, Tongli (同里) e Zhouzhang (周庄). Na primeira eu estava caminhando e ao meu vinham vindo 2 moleques de uns 10 anos de idade sendo carregados em um daqueles triciclos para 2 passageiros levados por um condutor. Um deles me vê e aponta para mim:
Guri: Estrangeiro!
Eu (apontando de volta para ele): Chinês!
Os guris se olham com os olhos arregalados e o que apontou para mim vira para trás e grita: Manhêêê! O estrangeiro fala chinês!
Mãe (num triciclo atrás): Então conversa com ele ué!
O guri vira de novo para mim e fala como se nada tivesse acontecido: De onde tu é?
Então começamos a conversar sobre de onde eu era, de onde eles eram, como vieram para na cidade, etc. Muito queridinhos.

- Também nessa vila existe o Museu da Cultura Sexual Chinesa! Aparentemente o Museu foi aberto em Shanghai mas transferido para cá, talvez para chamar menos atenção. Todos os aspectos do sexo são tratados ali, mesmo os não abertamente discutidos pela conservadora sociedade chinesa, com abundância de artefatos, imagens, fotos e explicações. Muitíssimo interessante, talvez quase tanto quanto os de Amsterdam. Infelizmente não tenho nenhuma foto pelo motivo descrito abaixo.

- Na segunda vila de canais pude assistir uma apresentação de Ópera Kunqu (昆曲), uma forma de arte que mistura teatro, música, acrobacia, etc. que lembra a Ópera de Beijing mas tem suas próprias características locais.

- Um dia, após descer do ônibus do centro no fim do dia meto a mão no bolso e percebo que a máquina fotográfica que estava ali quando eu subi no ônibus sumiu... Depois descobri que um colega meu coreano também teve a carteira roubada na mesma viagem. Ônibus lotadaço + estrangeiros distraídos = ladrão feliz da vida. Ai perdi minhas fotos de antes da viagem e de vários locais que visitei em Suzhou... As fotos no Orkut são da máquina que eu comprei depois.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Arroz e feijão

Encontrei feijão preto no Carrefour aqui perto da universidade! Sabia que dava para comprar o nosso feijão aqui porque comi feijão no restaurante brasileiro, só não sabia que seria tão fácil e barato comprar. Preparei com pimentão, cebola, alho e carne seca. Quando eu estava preparando dava para sentir no corredor aquele cheiro de feijão sendo cozinho, cheiro de segunda feira de manhã em casa! E ficou bem bom, comi com o arroz branco empassocado daqui. O único problema é que a carne seca daqui é meio adocicada, o que deixou um gosto meio estranho. Usar linguiça nem pensar, já que as daqui todas são bem doces. Na próxima devo fazer sem carne. A outra alternativa é eu comprar carne fresca e salgar eu mesmo, mas preparar onde? Deixar o quarto cheirando a carne não dá. E no corredor é capaz de roubarem, hehe.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Fim do jejum

Lá se vão 4 meses desde a última vez que postei... Não sei exatamente o que aconteceu, preguiça, indisposição, estudos em demasia ou sei lá, fato é que não atualizo isso faz um baita tempo. Simplesmente não dá vontade de escrever. Sei que não é legal manter os interessados aí do Brasil desinformados, foi mal. Não vou mais prometer atualizar com alguma frequência decente porque não sei se cumpro, mas saibam que mesmo não postando nada eu não esqueci o blog, sempre me bate o remorso por não escrever nada. Mas, vamos aproveitar que hoje eu estou inspirado para tentar relatar um pouco do que aconteceu por essas bandas desse fevereiro.

Finalmente sai de Beijing! Para aqueles que não sabem, desde que cheguei aqui não sai da cidade (com exceção duma vilinha a uns 70 km daqui). Como vou ficar um total de 5 anos por aqui, não estou com muita pressa de sair viajando para todo o lado (ao contrário da maioria dos meus colegas que só ficam 1 ano). Mas aos poucos vou começando a sair um pouco. A primeira viagem que realizei foi a Datong 大同, uma cidade não muito longe daqui. Eu e mais quatro amigas aproveitamos o feriadão entre 3 e 5 de abril e fomos visitar essas cidade não muito longe de Beijing (6 horas de trem). A cidade em si é feia, poeirenta e cheia de prédios demolidos, mas no seu entorno se localizam o Mosteiro Pendurado 悬空寺 e as Grutas Yungang 云冈石窟, que valem pela viagem inteira. O primeiro é um mosteiro construído em uma face de uma montanha, literalmente encravado na pedra a uns 100 metros do solo, muito legal. O segundo é um conjunto de dezenas de grutas que forma sendo escavadas ao longo de vários séculos contendo centenas de imagens budistas, lindo demais. Apesar da aridez, a cidade ainda reserva alguns pontos interessantes, como o Muro dos Noves Dragões 九龙壁, dois templos grandes cujo nome esqueci. As fotos já estão no Orkut a algum tempo. Pontos altos da viagem:
- Primeira vez que andei de trem na China, o método mais comum de viagem por aqui. Fizemos uma viagem noturna, com cama e tudo. Apesar de razoavelmente confortável não preguei o olho
- Ficamos em um hotel mega estranho, onde para se entrar na parte dos quartos tem que se passar por dentro dos banheiros antes. Detalhe: os chuveiros são compartilhados e dá para vê-los quando se vai para os quartos! Lógico que a entrada dos homens é diferente das mulheres! De qualquer forma tive que tomar banho da frente dos chineses, sorte que como fui tomar banho bem tarde tinham poucos, e não ficaram me encarando (eu acho).
- Ao ir para o templo pegamos um táxi. Ao chegar lá abrimos a porta para sair e veio outro carro e raspou a lateral inteira na nossa porta. Após mais de meia hora de discussão (onde argumentamos que não pagaríamos nada porque não fomos nós que resolvemos parar o maldito táxi no meio do caminho!), a vinda dos puliça e a ida dos puliça que sequer olharam para nós, concluímos que os puliça também achavam que a responsabilidade não era nossa e fomos de mansinho (mas bem rápido) para a entrada do templo. Após uns 20 minutos de subida até o templo vimos que os carros envolvidos no acidente finalmente foram embora e pudemos aproveitar o templo sem o medo de sermos recebidos na volta por uns motoristas furiosos, hehehe.
- Ao darmos uma visitada em um parque em frente a um dos templos da cidade paramos um pouco para descansar e em menos de 5 minutos estávamos cercados por uma multidão de pessoas perguntando de onde nós éramos e elogiando nosso chinês. Um velho achou que eu era da União Soviética! (ele não disse Rússia não).

Bueno minha segunda viagem foi uma organizada pelo escritório responsável pelos estudantes estrangeiros aqui da universidade, para a montanha Taishan 泰山 e cidade de Qingdao 青岛 entre os dias 27 e 29 de abril. Por ser uma excursão bem planejada, dessa vez não ocorreram imprevistos tais como acidentes automobilísticos, hehe. No primeiro dia subimos o Taishan, uma das cinco montanhas daoístas sagradas da China. Está certo que o ônibus nos levou até cerca de 1 km de altura, mas ainda tivemos que escalar quase 2 km a pé até o topo. Não preciso nem dizer que cansa pra caramba. O mais impressionante é ver velhos com mais de 60 anos subindo e descendo carregando mercadorias para vender no topo, e eles fazem isso todos os dias! No caminho há várias vistas e templos lindos, vale a pena o esforço. Por ser um lugar sagrado, há vários grupos de pessoas que vem para peregrinações mesmo. Sobem a montanha, acendem incensos, fazem suas orações e depois descem tudo de novo; logo após chegarmos ao templo principal vimos um desses grupos.
No fim deste dia fomos até a cidade costeira de Qingdao, e lá passamos os próximos dois dias. Qingdao é uma cidade que foi ocupada pelos alemães no período em que as potências imperialistas estavam todas dividindo a China entre si, por isso as influências alemãs estão por toda a parte. Cito para inicio de conversa a cervejaria Qingdao, hoje a maior da China, que foi fundada aqui pelos alemães. Aqui além da praia visitamos ainda o museu da cerveja, a montanha Laoshan 崂山 e demos uma volta de barco. A cidade é bem bonita, mas estranha por parecer demais com cidades européias.

Bueno, fora estas duas viagens ainda aconteceram coisas interessantes aqui em Beijing mesmo. A notícia mais bombástica é que após um feliz relacionamento de 8 anos eu e a Bruna decidimos nos separar. Quem me conhece sabe que eu nunca fui de falar sobre o meu relacionamento com a Bruna, então não vou ficar aqui explicando o que aconteceu. Só posso dizer que não houve briga, que ainda somos bons amigos e que seguimos nos comunicando. Agradeceria a todos se não ficarem enchendo os ouvidos dela de perguntas sobre isso ;) E como a vida continua, estou de namorada nova. Para os curiosos de plantão, ela se chama Chi, é do Vietnã, tem 21 anos e está no segundo ano da graduação em Relações Internacionais aqui na universidade. Como eu ainda não pretendo ficar falando dos meus relacionamentos, paro por aqui. Como eu estou de bom humor pelo menos pus fotos no kutkut satisfazer a curiosidade de vocês, hehehe.

Agora às demais notícias: uma delas é que eu não estou mais na banda Siren. Foi bom voltar a tocar em uma banda depois de quase 5 anos longe dos palcos, mas realmente tocar contrabaixo já não é uma das minhas paixões (já ouvir metal é oooouuutra coisa). Após umas 4 apresentações aqui cheguei à conclusão de que não queria continuar e informei a banda. Como já havia um show agendado para o dia 9 de maio eu ensaiei até este dia, tocamos e é isso. O pessoal já encontrou um baixista novo e de vez em quando nos encontramos por acaso no campus e batemos papo. Um dos fatores que me levou a sair da também foi que além dos estudos e da banda eu também passei a me ocupar com o Rugby, então resolvi abandonar a banda para me dedicar ao esporte que realmente me empolga. E este é o próximo ponto...

Beijing possui 4 times de Rugby, 3 formados na maioria por estrangeiros e um exclusivo de alunos (chineses) de uma universidade daqui. Cheguei a treinar com o maior time daqui uma vez, o Beijing Devils, mas para chegar até o local de treino levo uma hora e meia entre metrô e ônibus. Por outro lado, a 30 minutos de ônibus ou bicicleta da minha universidade treina um time formado quase que totalmente por gente vinda das Ilhas do Pacífico! Para quem não sabe, no nordeste e leste da Austrália existem milhares de pequenas e grandes (na maioria muito pequenas) ilhas que formam mais de uma dezena de países independentes. Assim como o Brasil com o futebol, vários destes países se destacam pela qualidade dos jogadores de Rugby que exportam para jogar em diversos países mais ricos. A criançada em vários desses países cresce jogando Rugby desde pequeno, com paus e cocos quando as condições não permitem a compra de uma bola de verdade, e quando crescem vão jogar na Austrália, Nova Zelândia ou Europa. Vários dos caras que jogam no meu time só começaram a jogar com bolas de verdade quando entraram para o time do colégio. Bom, fora eu, um escocês e um congolês, o resto do time todo é formado por gente de Tonga, Papua Nova Guiné, Fiji, Samoa e Vanuatu. É um clima bem diferente dos outro 2 times formados na maioria por europeus e australianos. O pessoal das ilhas lembra muito mais os brasileiros do que os brancos e frios europeus: o bronzeado, o senso de humor, a humildade, a irritante falta de compromisso com horários... Mesmo achando o time bagunçado demais em relação aos treinos, não troco de jeito nenhum pelos mais organizados. Aliás, mesmo treinando mal o nosso time está em primeiro na copa de Beijing: os caras têm o negócio no sangue! Resta a mim e aos outros não “islanders” tentar ficar tão bom quantos eles (acho ruim de isso acontecer!). Ah, pro pessoal do Antiqua: estou jogando de segunda linha, número 4! Achei minha vocação, nunca mais volto a jogar com os magros!

Também fui de novo à churrascaria brasileira aqui, aquela com os garçons pilchados. Gastei em uma janta o dinheiro de quase uma semana comendo aqui na universidade, mas comi churraaaaaaascoooo! Com gosto de churraaaaaaascoooooo! Após 4 meses quebrei meu jejum de comida brasileira e comi picanha, cupim, costela e vazio bem assados, além de arroz e feijão, pão de queijo e polenta!!!! Levei junto mais um brasileiro/canadense, a Chi, o casal de finlandeses, a letã, uma neo-zeolandesa e dois japoneses. No restaurante tem uma banda brasileira a quem eu contei que no nosso grupo tinha um japonês que tocava bossa nova, o Taka. Não deu outra, o Taka foi chamado no palco, tocou “Garota de Ipanema” no violão com o resto da banda e ainda ganhou beijo da vocalista. No fim eu sai mal conseguindo caminhar de tanta carne que comi (os garçons nem perguntavam mais se eu queria uma fatia das carnes, simplesmente largavam os pedaços inteiros no meu prato), o finlandês saiu como um novo conceito do que seja carne assada, o Taka querendo voltar o mais breve possível e o resto todo com uma ótima impressão da comida brasileira (fiz todo mundo experimentar arroz com feijão e eles gostaram bastante também).

Hmmm, e o que mais? Os estudos em chinês vão muito bem, estou falando com fluência e finalmente estou começando a ler textos sem consultar o dicionário a cada 15 segundos. Estou confiante que com mais um ano de estudos vou ter um nível suficiente para começar o mestrado.

- Finalmente tenho uma bicicleta! O finlandês vai embora em menos de 1 mês e resolveu me dar a que ele comprou, yeeeesssss! Sempre que possível agora ando de bicicleta. Para ir aos treinos do time é ainda mais rápido que ir de ônibus. A maioria das ruas de Beijing tem ciclovias, e mesmo sendo o trânsito nelas tão caótico quando nas vias dos carros ainda prefiro muito mais a andar de ônibus ou metrô.

- Após uma primavera curtinha começou o verão já, com as temperaturas já alcançando os 30 graus. Não quero nem imaginar como vai ser em julho e agosto!

- Ainda estou planejando o que fazer nas férias. Nas primeiras 2 semanas vou participar de um curso de verão em uma cidade próxima a Shanghai. Após isso provavelmente vou passar alguns dias por ali e em algumas cidades próximas. Fora isso ainda estou analisando a possibilidade de visitar o Vietnã (com hospedagem, comida e guia turístico gratuitos, Yes!) e assistir um festival mongol tradicional na província da Mongólia interior, mas ainda não sei direito.

Acho que por hoje é isto então, vamos ver se daqui para frente eu atualizo com alguma frequência isso aqui (quem sabe?). As fotos estão no kutkut. Assim que eu tomar vergonha na cara e comprar uma máquina fotográfica começo a por mais fotos. Té!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Luonarduo na TV

Estava jantando ontem na cantina e vi o Ronaldo na TV. Era uma propaganda da Vale do Rio Doce. Ele aparece fazendo umas embaixadinhas, ai fala algo em português (tudo devidamente legendado é claro) e ai começam a aparecer imagens da Vale. Até onde eu sei, a China é o maior cliente vale, comprando quase todo o minério de ferro que ela produz, por isso a importância dessa empresa aqui, hehe.

Aliás, Luonarduo é como ele é conhecido aqui, da mesma forma como o Ronaldinho aqui é Xiao Luonarduo (xiao = pequeno).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

De volta a ativa

Bueno, depois de mais de 2 meses sem novidades o blog enfim está de volta. Cheguei do Brasil anteontem depois de um mês e uma semana muito bem aproveitados de férias no Brasil. Antes de ir de férias eu deixei de atualizar o blog por mais de um mês por pura preguiça, e óbviamente não o atualizei enquanto estava no Brasil. Acho que depois de 4 meses em Beijing acabei criando uma rotina e as coisas que acontecem já não me parecem tão extraordinárias, o que tira um pouco a ânsia de compartilhar e pôr no blog. Mas agora que voltei do Brasil pretende retomar a vergonha na cara e atualizar isto aqui com alguma frequência, nem que seja para relatar algum episódio curioso do dia. Quero registrar que a descoberta de um blog de uma brasileira que mora aqui em Beijing há 2 anos e segue postando semanalmente também me motivou a não deixar a peteca cair novamente. (link: http://lunachina.blog.uol.com.br/)

Bom, um episódio interessante então. Ontem meu colega de quarto chegou e vário japoneses vieram até o quarto beber. Fiz caipirinha para eles com a cachaça que eu trouxe do Brasil, o copo de fazer caipirinha também trazido daí e uns limões amarelos do supermercado (não achei o verde e ouvi dizer que é raro encontrar por aqui). O negócio ficou tri bom e os japa adoraram! Acontece que depois que todos foram embora eu e o Daisuke estavamos conversando e ouvimos um "CLECK" vinda da minha estante. Fui ver o que era e descobri que o copo de caipirinha (de madeira) rachou da borda até a base! Do nada! Simplesmente CLECK! Poxa!!!! Acho que por causa da bebida a madeira espandiu e quebrou, óbviamente não desvia ser de muito bom qualidade. Pelo menos deu para usar 1 vez e ainda tenho o pilão para fazer outras caipirinhas em outros recipientes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Festival de bandas e a banda nos locais sagrados do estado

Sábado passado ocorreu o tal do festival de bandas aqui na universidade. Quando cheguei lá descobri que o negócio não era bem bem apenas um festival de bandas. Nós eramos uma das poucas bandas que iam se apresentar, sendo a maioria das apresentações de cantores sem banda. Chegamos cedo da tarde, pudemos ficar em um camarim ultra profissional (com aqueles espelhos cheios de lâmpadas que eu havia visto apenas em gravações), depois de umas duas horas pudemos começar a passar o som as pressas porque o cara da mesa de som ficou gritando para a gente sair de uma vez. É a sexta edição do evento e parece que a organização mudou, o que explica que, apesar da baita estrutura a organização deixou bastante a desejar, pelo menos para a nossa banda. Os shows começariam às 19:00 mas acabaram começando ãs 19:30 ou mais e nós nos apresentamos entre 20:30 e 21:00 não tenho bem certeza. Antes do show ainda fui e voltei ao dormitório por causa da diarréia que me incomodava desde o dia anterior e que me fez ir ao banheiro 6 vezes neste dia. Algo interessante foi uma das mulheres da organização ter dito que nós devíamos trazer nossa própria maquiagem porque a do local seri cobrada. "Hein? Maquiagem?", óbviamente nós, como uma banda de metal, estavamos fora do contexto, mas azar!

Quando da nossa apresentação o meu AMP deu problema e resolveu que não funcionaria. Ficamos alguns minutos tentando resolver o problema e a platéia em silêncio olhando. O apresentador do festival entrou de novo no palco para dizer algo do tipo "Estamos com problemas técnicos" mas em seguida voltou a funcionar. Começamos a tocar a primeira música e a minha corda mais grossa arrebentou logo aos 30 segundos de música. O resto da música foi só com metade das notas do baixo e os guitarristas se perdendo por isso. Antes de começar a segunda música um cara me emprestou o baixo dele (e mais alguns segundos de silêncio constrangedor) e tocamos a segunda música tranquilamente, fora que o baterista errou o fim da música porque não tinha nenhum retorno e não ouvia direito o que nós estavamos tocando, hehe. Apesar dos pesares, acredito que o pessoal gostou.

A semana novamente não trouxe novidades. Mas neste sábado (ontem) eu, o Taka, o casal de finlandeses Juha e Sanna, os congoleses Armand, Francis e BR e a letã Maija fomos fazer turismo na cidade. Com temperaturas negativas o dia todo (OK, talvez as 15:00 da tarde tenha feito uns 2 graus) encaramos o frio e nos fomos. Visitamos o Altar da Terra, o Templo de Confúcio e arredores. O Altar da Terra é um dos 5 altares disctribuídos pela cidade onde eram realizados regularmente rituais pelo imperador, os demais são o dos Grãos, da Lua, do Sol e, o mais famoso, do Céu. Bem nesse dia havia começado no parque do altar uma feira de livros, então ao invés das árvores e da paisagem normal do parque vimos muuuuuita gente, mas foi bem legal. O Temple de Confúcio é o segundo maior templo na China dedicado ao cara, sendo o maior na cidade natal dele. Aqui não se encontra aquela exuberância de estátuas de deuses e demônios que se vê nos templos budistas e daoístas. Há apenas uma estátua de Confúcio que não está dentro de algum pavilhão para ser adorada. O que há aos montes aqui são estelas com os nomes de todos os aprovados nos exames para ingresso na burocracia imperial desde sei lá que ano. E são muuuuitas estelas! Fora isso um pátio interno bonito e alguns mini museus sobre o confucionismo. Ainda há vários locais para se queimar incenso, mas não vi ninguém fazendo isso aqui. Provavelmente o pessoal que quer orar prefere o Templo Lama que fica bem próximo e tem uma aura bem mais "religiosa". Os dois locais que visitamos neste dia tem um caráter religioso, mas muito mais ligado à burocracia e ao estado do que ao povo. O Altar é um dos locais onde o imperador deixava claro a importância dele na manutenção da harmonia entre o Céu e a Terra e o templo de Confúcio é basicamente um local de estudos e de sagração dos burocratas do estado, em homenagem ao "santo" dos estudos, Confúcio. Se é que ele pode ser chamado assim, já que apesar do caráter deificante que o pessoal e o estado atribuiu a ele depois da sua morte ele não tinha muito interesse por assuntos religiosos.

Entre as visitas comemos em um pequeno restaurante que tem como atração carne de burro! Comi uma massa com carne de burro e um tipo de sanduiche. Nada demais na tal da carne. Passamos por um restaurante que oferecia carne de cachorro também mas o finlandês ficou chocado demais com isso e não entramos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Idiota

Acabei de chegar do mercado e tive que vir direto para o computador escrever o recém ocorrido.

Como ficou crítica a situação dos meus tênis e minhas calças (na verdade meu único tênis e minhas duas calças velhas quase rasgando) eu finalmente criei coragem para ir até o mercado em frente ao Zoológico comprar um par de tênis e duas calças. Fui com o Daisuke, comprei duas calças por um preço mais barato do que eu estava disposto a pagar (depois de 20 minutos de barganha) e sai a olhar tênis. Entrei em uma banca e pedi para o vendedor buscar um par do meu tamanho de um tênis que eu gostei. O cara trouxe, eu experimentei e ele disse o preço. 380 RMB foi o que eu ouvi, e já fiz meu sorriso de "caro demais" (eu não estava disposto a pagar mais de 100 RMB). Eu perguntei "380?" e o Daisuke me respondeu "Não! 2380!". Perguntei o preço de novo para o vendedor e ele confirmou. Ai comecei a rir, óbviamente, tirei os tênis e comecei a ir embora. O cara me segurou pelo braço e me perguntou que preço eu queria pagar, ao que eu respondi 70! Para que? O cara me empurrou para fora da loja com força, fechou a cara e me chamou de 傻子 (shazi), ou seja, de idiota! Eu segui rindo e disse que ele é que era idiota querendo cobrar mais de 2000 RMBs por um tênis. O cara se emputeceu, apontou o dedo para mim, avançou um passo e gritou de novo "Tu é um idiota!". Eu não ia criar confusão né? Sai dali rindo e achando o máximo! Fui chamado de idiota por um chinês, respondei ele e dexei ele puto da vida! Hahahahahaha. Depois consegui comprar um tênis que parece (PARECE) melhor que a média por 100 RMB. O Daisuke ainda comprou uma jaqueta quente para carambra para o inverno e fomos embora. Os dois felizes pelas compras e eu mais feliz ainda por ter xingado o cara de volta. 2000 RMBs por um tênis falso! Completamente sem noção!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fim de semana com os japoneses

Eeee! Nos últimos dias em Beijing a temperatura aumentou, as vezes até chega a 6 graus durante o dia! É melhor aproveitar enquanto não volta lá para baixo de novo. O problema é que dentro do quarto está muito calor, esses dias tive que dormir só de lençol.

Acabei não indo na Mesquita nesta sexta-feira porque meu "guia" teve que sair e não iria na mesquita nesse dia mas quem sabe no próximo. Na sexta a noite o Taka veio aqui no nosso quarto e trouxe umas bebidas japonesas e cerveja. Ficamos tocando violão, bebendo e incomodando os vizinhos até 1 da manhã. Saiu nossa dupla Bossa Nova com o Daisuke de platéia, hehe. Mostrei para eles alguns vídeos famosos do Brasil como o do japonês dançando no Pânico e do Joel Santana falando portuglês. Eles me ensinaram o que o japa fala, como é o passinho direito e se mataram de rir do Joel, até hoje estão falando "Tu de léfti, tu de raiti, tu de mídio".
  
Sábado eu e o Daisuke fomos em uma rua aqui de Beijing que concentra várias lojas de chá. Provamos os principais tipos de chá, compramos uns chás caros, eu comprei uma caneca especial para tomar ché e ele comprou o kit para servir chá que ele tanto queria. Mas a melhor compra veio no Carrefour aqui perto. Chegando lá depois de sair dos chás descobri uma promoção: caso alguém comprasse duas caixas de Heineken (cada uma com 24 latas de 355ml) a segunda saia pela metade do preço! Resultado: Tenho estoque até a minha volta para o Brasil em janeiro e estou com os braços doendo até agora de carregar aquelas caixas do mercado até aqui (já havia gasto 200 RMB em cerveja, não queria gastar mais com táxi!).

E por fim, no domingo teve o primeiro ensaio com a banda inteira. Próximo sábado haverá na universidade um festival de bandas e nós iremos tocar uma música que a banda já havia composto e gravado antes para um CD das bandas da universidade. O problema do festival é que as outras bandas são todas pop/meloso/romântico/adolescente/etc. Então nós seremos a única de metal... Fazer o que... Nesse sábado foi nosso único ensaio da música com a banda inteira antes do festival, mas como é só uma música mesmo foi tranquilo. O ensaio foi em um estúdio muuuuuito profissional cheio de Marshalls válvulados! Quem entende de equipamento de música sabe o valor disso. E as 4 horas de ensaio saíram por 40 RMBs (R$ 10,00)! O Taka foi junto no ensaio e descobrimos que ele toca bateria também. Enquanto eu e o guitarrista estavamos brincando com "Fade to Black" do Metallica ele acabou nos acompanhando e tocou metal pela primeira vez na vida. É óbvio que também tocamos "Garota de Ipanema" (com ele na guitarra dessa vez) para os chineses verem. Em breve ponho fotos do ensaio e da banda no orkut, e óbviamente do festival quando ele acontecer.

Minha semana é bem monótona, consistindo basicamente de aulas, estudos dentro do quarto e saídas para comer. Eu e o Daisuke temos ficado estudando até tarde e acabamos os 2 indo dormir à 1 da manhã para acordar às 7 (Ok, ele estuda enquanto eu fico no MSN teclando com vocês). Por isso hoje me deitei a 1 da tarde e levantei as 4. Tenho que mudar isso rápido...